"VIAGEM LONGA
- Relojoaria Pereiron informa: dentro de cinco minutos partirá o
trem com destino a São Paulo. Senhores passageiros, queiram ocupar seus lugares.
Logo após a voz grave e pausada do locutor, o soar de algo parecido com um
gongo, igual ao que era usado nos cinemas, convocando para o início da sessão e
que hoje quase não se usa mais. O que muito me intrigou é que minha mãe falou,
talvez para valorizar mais o trabalho do locutor:
- Tu sabias que ele é cego?
Não acreditei. Como é que um cego teria uma voz tão bonita, marcante, leria
aquela mensagem e tantas outras, um monte de anúncios, mais as utilidades
públicas sobre objetos e crianças perdidas?
Mistérios da mente de piá!
Pois o
tal gongo cumpriu sua missão:
- Bloooooommm! – interminável. O chefe-da-estação,
com seu boné vermelho – lembrando os cardeais da fazenda, a seguir dava o
“primeiro sinal” – badalando o sino."
Este é um trechinho do livro "Guri de Fazenda". É o único livro que aborda a infância campeira da criançada do Sul. Nossa literatura sobre o assunto é toda originária do Nordeste. Graciliano Ramos (Infância) e José Lins do Rego (Menino de Engenho).
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