Nas andanças profissionais deste blogueiro, nesta semana, mais uma vez passamos pela terra de Alberto Pasqualini, Ivorá, pequeno munícípio da Quarta Colônia, região central do Rio Grande do Sul.
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| Ivorá em foto de fevereiro de 2020, feita por Vilsom Barbosa, da Albatroz Fotos |
Nascido em 1901, iniciou seus estudos no Seminário São José, em São Leopoldo, onde destacou-se em latim e grego, tornando-se especialista respeitado nestas duas áreas.
Como o ensino neste seminário não era reconhecido oficialmente, teve que repetir esta fase de preparo intelectual em Porto Alegre, onde custeou suas despesas dando aulas particulares de matemática a alunos de séries mais avançadas, demonstrando, desde cedo, sua grande inteligência e dedicação aos estudos. Esta repetição de currículo escolar retardou um pouco sua formatura em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1929. Pela sua eloquência e preparo foi escolhido orador da turma.
Politicamente iniciou sua trajetória no Partido Libertador, partido pelo qual foi eleito vereador em Porto Alegre e exerceu o cargo entre 1935 e 37. Em novembro deste ano o Estado Novo de Getúlio Vargas dissolveu os órgãos legislativos.
Em 1944 foi nomeado Secretário do Interior e Justiça. Homem de formação democrática, acabou criando atritos com o Governo Federal e aliados no Estado do Rio Grande do Sul. Custou-lhe o cargo, entre outras medidas, a realização de um plebiscito em Caxias do Sul, para superar impasse entre os políticos locais, para escolher o novo prefeito, na época escolhido pelos caciques e sem participação direta do povo.
Em 1946 tentou fundar a USB (União Socialista Brasileira), mas acabou convencendo-se que tal agramiação não tinha chances de abrangência nacional. Optou, então, pelo ingresso no PTB, Partido Trabalhista Brasileiro (fundado em 1945) e nada tendo a ver com o atual PTB, ressurgido durante a ditadura militar na década de 1970.
Foi um dos destaques na elaboração do programa do PTB.
Por esta sigla concorreu a governador do RS em 47 onde foi derrotado por Walter Jobim. Durante esta campanha, deixou bem clara sua posição, quanto às relações entre capital e trabalho:
“Se, no Brasil, coletivizássemos os meios de produção, se passassem eles às mãos do Estado liqüidaríamos a economia. Como dizem os próprios comunistas, no Brasil não há nem condições objetivas ou materiais, nem subjetivas ou psicológicas para a instituição entre nós do regime socialista. Precisamente por sermos um país ainda em fase de pré-capitalização, pré-industrialização, precisamos da iniciativa privada, e de muita iniciativa privada. Estejam pois tranqüilos os nossos capitalistas, que terão ainda entre nós vida muito longa se souberem realmente compreender a verdadeira função do capital, isto é, se souberem fazer o uso devido dos meios de produção.”
Assim, desde cedo ficou claro que o trabalhismo não era uma agremiação buscando implantar o comunismo no Brasil, como tanto querem muitos dos atuais políticos, jornalistas mal intencionados e radicais de extrema direita ou nem tão extrema ...
Em 1948, Pasqualini escreveu Diretrizes Fundamentais do Trabalhismo Brasileiro.
Dois anos depois o PTB gaúcho “com o fim de divulgar as idéias básicas do trabalhismo, a fim de que sejam estudadas e se tornem cada vez mais conhecidos os verdadeiros objetivos do trabalhismo, prevenindo e evitando desvirtuamentos e deturpações”, condensou e publicou as "Diretrizes".
O esqueleto sobre o qual se apoia o Trabalhismo Histórico é, em grande parte, constituído pelas ideias deste grande gaúcho.
Em 1950 elegeu-se senador pelo PTB, representando o RS.
Pasqualini era considerado unanimemente como o mais importante teórico do trabalhismo brasileiro, sendo respeitado inclusive por seus adversários políticos, como Juarez Távora, líder do Partido Democrata Cristão (PDC), que a ele se referiu em suas memórias como “nobre e idealista doutrinador”.
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Comenda "Ordem do Mérito do Trabalho" conferida após sua morte, como costuma ocorrer com os grandes idealistas que somente são valorizados tardiamente.
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Em 1956 foi vitimado por um derrame cerebral, ficando paralisado até sua morte em 3 de junho de 1960.
Por ter sido um ardoroso defensor da criação da Petrobrás, a refinaria de Canoas - RS leva seu nome, homenagem a um dos grande políticos brasileiros, daqueles onde a política visava, realmente, o bem comum.